Ela não mora mais aqui. Visitas, recados, correspondencias e [claro] festinhas, agora em novo endereço: http://ohcoisaboaminhagente.blogspot.com

 

Sem lua cheia, sem fogos de artifício, sem jantar num restaurante de luxo, sem brilhantes, nem vestido de seda. Bem aqui mesmo, na cozinha da minha casa, com uma lasanha de supermercado esquentando no forno, que ele pediu a benção dos meus pais para o passo mais importante da vida da gente. Sem saber onde botar as mãos e sem conseguir organizar os pensamentos, ouvi meu pai levantar um brinde, com o vinho branco que ele se preocupou em trazer. Agora é uma felicidade que dói. Mas é dor boa, dessas coisas que a gente não sabe explicar, só sentir. E agora só consigo pensar em que livros podemos botar na nossa mesinha de centro, na cor do sofá da nossa sala e o que fazer para o jantar. Quase posso sentir o perfume das roupas dele que eu mesma lavarei, e a minha teimosa ansiedade não me deixa escapar nenhum detalhe dos próximos passos que devemos tomar até o dia de vestir aquele  vestido lindo que ainda não sei qual o modelo. Aliás, ainda aqui sem saber de nada. Em fase de 'cair-a-ficha', estourando de alegria e expectativa. E muito, muito feliz.

Pleeeeeeeease!!!!!!

 

Alguém, por favor, aguém me arruma esse filme! Pleeeeease. Legendado, pleeeeeease.

 

 

Enquanto não venho com novidades, vai aí dois clipinhos capazes de salvar qualquer domingo.

Se você ainda não assistiu Little Miss Sunshine e odeia que te contem o final do filme, passe para o próximo post ou volte mais tarde.

 

Título Original: Little Miss Sunshine
Gênero: Comédia
Duração: 101 minutos

Ano de Lançamento (EUA):
2006

 

Por não estarem distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

 

Clarice Lispector

 

 

Decidi que vou investir tudo no meu quarto. Vou comprar um ar condicionado split, três metros de chita colorida suficiente para cobrir uma parede inteira, talvez uma cama nova, ou pelo menos o colchão – porque o atual está me matando – uma mesa de cabeceira com gaveta para guardar o livro que vou ler até o sono chegar. Depois apago a luminária super legal que também providenciarei. E fotos. Fotos espalhadas por toda parte em molduras que eu mesma farei. Aí, no dia que estiver tudo pronto, mudo a minha vida toda lá para dentro. E lá será o meu reino, onde todas as coisas aconteçam exatamente como eu acho que elas devem acontecer. Viverei sozinha lá dentro. Talvez algumas visitas uma vez ou outra, mas coisa rápida, para o lugar não perder nem um pouco da minha cara que não será a que vejo no espelho agora.

 

Laura Capriglione, repórter da Folha de São Paulo, é uma pessoa que pode ser chamada de sem noção. Da semana passada pra cá, o país inteiro tem se consternado diante das noticias sobre o acidente nas obras do metrô em São Paulo. A cada noticiário uma matéria sobre a dor dos familiares que esperam por noticias, os bombeiros e operário que fazem o que podem correndo o risco de novos desabamentos, as famílias que ficaram desabrigadas e se amontoam em hotéis praticamente com a roupa do corpo. Aí vem uma repórter do jornal de maior circulação nacional escrever o seguinte trocadinho infame:

 

“Morto sob 38 metros de terra no desabamento da estação Pinheiros do metrô, o motorista de caminhão Francisco Sabino Torres, 47, (...) teve de enfrentar a terra de novo na hora do enterro.

 

Ai,ai...

 

Há certas coisas que a humanidade, homens e mulheres, sempre buscam. Não é o tipo de coisa que aparece em livros de história e civismo, pelo menos não na maior parte deles, refiro-me a coisas fundamentais. Um teto para se abrigar da chuva. Três refeições por dia. Uma cama. Uma vida sexual decente. Um intestino saudável. E principalmente, uma boa noite de sono.

 

 

*Gostou? Tem mais aqui!

 

A primeira semana no ano, que começou sem maiores planos, correu bem. Foi rápida. Ponto pra mim, que venho torcendo pra dois mil e sete ficar logo com cara de dois mil e sete. Mesmo eu não sabendo [ainda] que cara ele deve ter. Comecei a semana vendo dois bons filmes e terminei indo ao cinema, coisa que há muito não fazia. Hoje, segundo dia útil da segunda semana, vou fazer exames tais que, se não me falha a força do pensamento positivo, não vão dar em nada. Aí vou ter um resto de semana bem tranqüilo, e, se meu humor não mudar, talvez role até filminho com pipoca no final de semana. Devo transformar isso em habito nesse dois mil e sete. Mas não vou dizer que o farei. Aprendi com o ano passado que não adianta dizer e nem muito menos documentar, como fiz. O certo, pelo menos por agora, é deixar os dias acontecerem cada um na sua vez e ver no que dá. E isso não é questão de comodismo. Não. Só ando com a cabeça vazia de planos para o futuro. Mesmo que esse futuro seja amanhã.

Considerações finais sobre o ano que acabou [e, o que vem por aí?]

 

 

Quando eu era pequena e alguma coisa ía demorar se dizia “iiih, só lá pro ano dois mil”, é engraçado lembrar disso quando já se está em dois mil e sete. O esperado ano-dois-mil passou e eu nem me lembro mais como foi.

Acabou de acabar dois mil e seis, o ano cujo meu balanço anual pessoal foi diferente dos anos anteriores. Costumeiramente, nas ultimas semanas do ano [aquelas das festas, quando o coração da gente fica cheio de sentimentos legais], penso sobre as coisas boas e as coisas ruins que aconteceram no decorrer dos últimos doze meses, nas novas e felizes amizades adquiridas nesse tempo, nas expectativas atendidas, nas que deram quase certo e nas que deram totalmente errado. Aconteceu que nesse final de ano foi diferente. O sentimento foi [é] diferente. Algo sem muita explicação, e não por falta de vontade, mas por puro desencontro de vocábulos. Agradeci pelas poucas e boas amizades novas. Pelas amizades redescobertas, essas as mais valiosas. E até mesmo pelas amizades que deram errado – serviram, pelo menos, pra cair a ficha de que nem todas as pessoas são boas e legais. Aprendi isso sim, mas sem perder a esperança no mundo.

Dois mil e sete não vai começar como dois mil e seis, com listinha de resoluções. Descobri que ela não funciona muito. Não li doze livros, não vi quarenta filmes, não me alimentei melhor... Claro que nem tudo deu errado, voltei a dirigir, arrumei um emprego e, no último dia do ano, percorri toda a Avenida Frei Serafim ao volante! O sol do fim de tarde na cara e o corpo tremulo, mas com o maior de todos os apoios do lado.

Dois mil e sete chegou sem muita cara de ano novo, sem a cabeça cheia de idéias. Mas, tão grande como a incorrigível mania de escrever sempre em primeira pessoa é o vicio de ter o coração aberto. E o maior desejo para esse ano novo é o de ter desejos maiores. E coragem.

 

 

Completamente de saco cheio. Completamente.

 

 

Quer aprender a tocar Air Guitar?

Perfeito pra uma tarde nublada de domingo. Perfeito para gualquer dia sem graça. Ou para qualquer dia bom também. Perfeito para qualquer hora. Perfeito.

a gente sonha cada coisa...

 

Mais ou menos uma da tarde, deitei pra descaçar antes de voltar ao trabalho.

Levantei abri a janela e não tinha mais sol. Assustada, fui até a sala e liguei a televisão no momento em que começava o Video Show. O tema de abertura [aquela música do Michael Jackson] e o Miguel Falabella bem sério dizendo:

-- O sol deu um intervalo de quinze minutos.

 

Acordei rindo e atrasada pro trabalho.

 

Um pouquinho mais de cor pra vida. Aqui.

Colaboração: Du

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